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Piada de Jimmy Kimmel enfurece Casa Branca e testa novo CEO da Disney
Por Dawn Chmielewski e David Shepardson
LOS ANGELES, 28 Abr (Reuters) – Uma piada do apresentador de talk show Jimmy Kimmel, que provocou pedidos da Casa Branca para que a rede de TV ABC demitisse o comediante, desencadeou a primeira crise enfrentada pelo novo presidente-executivo da Walt Disney, Josh D’Amaro.
Na quinta-feira passada, Kimmel, cujo programa de TV noturno é transmitido pela ABC da Disney, fez uma sátira do jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca, brincando que a primeira-dama Melania Trump tinha ‘um brilho de uma futura viúva’.
A piada foi feita três dias antes do jantar de gala, que celebra a liberdade de imprensa e de expressão, em Washington. O presidente e a primeira-dama foram retirados às pressas do jantar após uma tentativa de assassinato.
Os Trumps pediram na segunda-feira que a ABC demitisse Kimmel, no mais recente incidente em que a Casa Branca tem se oposto à liberdade de expressão, o que agitou o mundo da comédia noturna.
Durante seu monólogo no programa de segunda-feira à noite, Kimmel disse que a piada havia sido mal interpretada e não era um ‘apelo ao assassinato’, mas um comentário sobre a diferença de idade entre Trump, que completará 80 anos em junho, e sua esposa, que fez 56 anos este mês.
Steven Cheung, assistente do presidente e diretor de comunicações da Casa Branca, acusou Kimmel, em um post no X, de ‘fazer uma piada nojenta sobre o assassinato do presidente’ e de ‘insistir na piada em vez de fazer a coisa decente e pedir desculpas’.
A FCC deve ordenar, ainda hoje, a revisão das licenças das oito emissoras ABC de propriedade da Disney, disse uma fonte à Reuters.
D’Amaro, que se tornou presidente-executivo da Disney em março, deve decidir como responder à crescente pressão da Casa Branca para demitir Kimmel.
Um porta-voz da Disney não pôde ser contatado para comentar sobre Kimmel, que sobreviveu a um pedido anterior para que a ABC o demitisse.
A ABC é regulamentada pela Comissão Federal de Comunicações, que emite licenças de transmissão para suas emissoras afiliadas. O presidente da FCC, Brendan Carr, disse à Reuters no mês passado que estava considerando antecipar as revisões, que não estão programadas até outubro de 2028.
Carr não respondeu imediatamente a uma mensagem de texto e a FCC não comentou imediatamente se analisaria as falas de Kimmel.
Em setembro de 2025, o chefe da FCC pressionou as emissoras a tirarem Kimmel do ar. A ABC suspendeu brevemente o programa de Kimmel naquele mês devido aos comentários que ele fez sobre o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk.
As controvérsias passadas do Jantar dos Correspondentes da Casa Branca geralmente se concentraram em comediantes que levaram o formato tradicional de ‘roast’ do evento (marcado por piadas mordazes) longe demais para alguns participantes. Os apresentadores de programas noturnos Stephen Colbert e Seth Meyers foram criticados por seus comentários contundentes. O evento deste ano contou com a participação do mentalista Oz Pearlman, e não de um comediante.
Trump não compareceu ao jantar de 2017 e realizou um comício em seu lugar. A apresentação da comediante Michelle Wolf em 2018, especialmente as piadas envolvendo Sarah Huckabee Sanders, provocou reações negativas e, em 2019, a associação abandonou o formato de ‘roast’ em favor do historiador Ron Chernow.
(Reportagem de Dawn Chmielewski, em Los Angeles, e David Shepardson, em Washington)



