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Seleção feminina do Irã protesta na Copa da Ásia e é elogiada pela técnica apesar da derrota
A seleção feminina de futebol do Irã marcou sua estreia na Copa da Ásia, na Austrália, com um forte posicionamento fora das quatro linhas. Antes do apito inicial na partida contra a Coreia do Sul, na segunda-feira, 2, as jogadoras iranianas realizaram um protesto silencioso ao se recusarem a cantar o hino nacional. Perfiladas no gramado do Estádio Gold Coast, as atletas permaneceram em silêncio absoluto e com o olhar fixo para frente, no que foi o primeiro compromisso esportivo da equipe desde o início da guerra no Oriente Médio.
O contexto que envolve a participação do Irã, a única seleção de sua região qualificada para o torneio, é de extrema tensão. A delegação chegou à Austrália dias antes do início dos ataques aéreos no Oriente Médio. Após a partida, tanto as jogadoras quanto a técnica da equipe, Marziyeh Jafari, optaram pelo silêncio também nas entrevistas, recusando-se a comentar sobre o conflito armado ou sobre a morte do líder aiatolá Ali Khamenei. A coragem da equipe, no entanto, foi publicamente reconhecida por adversárias, como a meio-campista australiana Amy Sayer, que elogiou a bravura das iranianas em entrar em campo e atuar com firmeza mesmo diante de um clima político tão adverso e doloroso.
Dentro de campo, a enorme disparidade técnica e de vivência no torneio acabou pesando. A Coreia do Sul, disputando sua 14ª edição da Copa da Ásia contra apenas a segunda participação histórica do Irã, dominou as ações da partida. As sul-coreanas venceram o confronto por 3 a 0. O placar foi aberto aos 38 minutos do primeiro tempo pela atacante Choe Yu-ri, após aproveitar um rebote na área. Na segunda etapa, a veterana Kim Hye-ri ampliou convertendo uma cobrança de pênalti, e a capitã Ko Yoo-jin fechou o marcador aos 75 minutos com uma forte cabeçada no ângulo.
Apesar do revés por três gols, a técnica Marziyeh Jafari fez questão de exaltar a postura, a bravura e a dedicação de suas comandadas. Jafari declarou-se satisfeita com o esforço da equipe, ressaltando que as jogadoras se doaram fisicamente o tempo todo para frustrar os ataques de uma das seleções mais fortes do continente asiático. “Sabíamos que teríamos um jogo difícil pela frente, pois a Coreia é uma das equipes mais difíceis da Ásia. Elas jogaram muito bem, então as parabenizo e espero que possamos voltar à competição com força”, disse, após a partida. A treinadora analisou ainda que os gols sofridos derivaram de pequenos lapsos de concentração — como um erro individual no lance que originou o pênalti e uma falha de marcação na bola parada do terceiro gol —, mas avaliou o desempenho coletivo e tático de suas atletas como “muito bom”.
Demonstrando grande resiliência, Jafari destacou a importância de absorver a experiência de enfrentar adversários de elite para o desenvolvimento futuro do futebol feminino no país. “Sei que tivemos um jogo difícil, mas esta partida acabou e (agora) temos que colocar toda a nossa concentração no próximo jogo. Mas, na minha opinião, jogar partidas difíceis é agradável e as jogadoras podem ganhar muita experiência boa para o futuro (e se tornarem melhores)”, disse ela. A seleção do Irã precisará manter essa mesma determinação na sequência da competição, pois terá pela frente mais um enorme desafio: o próximo jogo será contra as donas da casa, a forte seleção da Austrália, nesta quinta-feira, no mesmo estádio em Queensland.



