Esportes
Operação no Paraguai prende ex-jogadores de futebol, um dos quais jogou no Brasil
A Operação Nexus II, conduzida pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) e pelo Ministério Público do Paraguai, prender uma série de ex-atletas ligados ao futebol local acusados de integrar uma organização criminosa transnacional ligada ao narcotraficante uruguaio Sebastián Marset.
O nome mais notório entre os detidos é o de Víctor Hugo Centurión, ex-goleiro conhecido por defender o Club Olimpia na final da Copa Libertadores de 2013. Segundo os investigadores, Centurión não era um colaborador periférico, mas um articulador que usava seu prestígio para gerenciar movimentações estratégicas na região de fronteira, especialmente em Capitán Bado, onde teria participado de reuniões com lideranças de facções criminosas.
A operação também resultou na prisão de Julio César Manzur, ex-zagueiro com passagens pelo Santos FC e medalhista de prata pela seleção paraguaia nos Jogos Olímpicos de Atenas 2004. De acordo com as autoridades, o prestígio social desses atletas funcionava como um “escudo de credibilidade” para o grupo, facilitando a lavagem de dinheiro e o acesso a círculos de influência que, de outra forma, seriam inacessíveis ao crime organizado.
Entre os demais presos, a investigação aponta Luis Miguel Molinas, destaque do futsal do Cerro Porteño, como o responsável pela comunicação entre os detidos e a ala operacional da rede, e Dionisio Manuel Cáceres, ex-gerente esportivo do Rubio Ñu, cuja função seria organizar a logística dos encontros para negociação de cargas e rotas.
O quadro traçado pelas autoridades paraguaias é o de um esquema em que o futebol foi usado como fachada para o império de Marset — que, vale lembrar, chegou a jogar profissionalmente no Paraguai como parte de sua estratégia de infiltração. A Senad e o Ministério Público indicam que a análise dos dados e documentos apreendidos ainda está em curso, sinalizando que novos nomes ligados ao esporte podem surgir nas próximas fases da investigação.