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Quem é Lucas Pinheiro, o 1º medalhista do Brasil nas Olimpíadas de Inverno
Lucas Pinheiro Braathen entrou para a história ao se tornar o primeiro medalhista brasileiro dos Jogos Olímpicos de Inverno. Nascido em Oslo, filho de mãe brasileira e pai norueguês, o esquiador de 25 anos passou a representar o Brasil em 2024 e alcançou o feito inédito ao subir ao pódio no slalom gigante em Milão-Cortina, na pista Stelvio, em Bormio.
O esquiador de 25 anos se naturalizou brasileiro em 2024 e disputou os Jogos Olímpicos pela primeira vez representando o Brasil, depois de ter defendido a bandeira da Noruega em Pequim-2022.
Grande esperança do país na competição, Lucas chegou aos Jogos após uma temporada consistente no circuito internacional. Atual número 2 do mundo no slalom, ele já havia feito história ao vencer a etapa de Levi, na Finlândia, em novembro passado — a primeira vitória do Brasil em uma prova de Copa do Mundo de esqui alpino.
A trajetória até competir pelo Brasil começou em meio a um conflito com a Federação Norueguesa de Esqui, motivado principalmente por divergências relacionadas a direitos de imagem. Em 2023, o atleta anunciou de forma surpreendente que se aposentaria. Meses depois, voltou atrás e decidiu retornar às pistas defendendo o país de sua mãe, onde passou parte da infância após o divórcio dos pais.
“Para transmitir minha mensagem e expressar meu verdadeiro propósito, eu precisava de liberdade. Agora eu sinto que a tenho, em cada competição. Tenho essa liberdade que me permite ter um desempenho melhor, com o orgulho e a alegria que este esporte me traz”, afirmou Lucas em entrevista coletiva no início dos Jogos.
Desde então, consolidou-se como um dos nomes mais competitivos do circuito. Em duas temporadas representando o Brasil, acumulou dez medalhas em etapas de Copa do Mundo no slalom e no slalom gigante, resultados que ampliaram as expectativas em torno de sua participação olímpica.
Além do desempenho esportivo, Lucas se transformou em fenômeno midiático no esqui alpino. Conhecido pelo carisma e pela postura de “showman”, é presença frequente em eventos e ações promocionais. Lançou uma linha própria de produtos de cuidados faciais e tornou-se rosto de marcas de luxo, como a Moncler, que o vestiu na cerimônia de abertura dos Jogos, quando foi porta-bandeira do Brasil.
A pressão por um resultado histórico sempre esteve presente. “Sinceramente, a pressão é grande. Eu represento mais de 200 milhões de brasileiros. Sou um atleta que tem a oportunidade de ganhar uma medalha. É uma responsabilidade que carrego comigo todos os dias”, disse na semana anterior à prova.
Antes de Lucas, o melhor desempenho do Brasil em Jogos de Inverno havia sido o nono lugar de Isabel Clark no snowboard cross em Turim-2006. Ao subir ao pódio em Milão-Cortina, o esquiador não apenas superou a marca anterior como inaugurou um novo capítulo para o país em uma competição tradicionalmente dominada por nações europeias.
A participação de Lucas nos Jogos ainda inclui a disputa do slalom, também em Bormio, prova que encerra sua programação individual na Olimpíada e mantém o Brasil sob os holofotes do esqui alpino internacional.