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Operação Blasfêmia: Polícia Civil mira call center que cobrava por “orações” em Niterói

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, nesta quarta-feira (24/09), a Operação Blasfêmia contra uma quadrilha que se passava por pastor para cobrar de fiéis por “orações” e “milagres”. O esquema operava a partir de uma central de telemarketing no Centro de Niterói e é alvo de mandados de busca e apreensão em ação conjunta com o Ministério Público.
Segundo a investigação da 76ª DP (Niterói), os atendentes — recrutados por anúncios em plataforma on-line — eram orientados a se passar pelo líder religioso em atendimentos via WhatsApp, usando áudios gravados para prometer curas mediante transferências via Pix. As cobranças variavam de R$ 20 a R$ 1,5 mil, conforme o “tipo de oração”.
“É muito triste ver criminosos usando a fé genuína para se aproveitar das pessoas e praticar o mal. Parabenizo a nossa Polícia Civil por mais essa ação, baseada em investigação e inteligência, que interrompe esse tipo de crime contra a nossa população.” — Cláudio Castro, governador do Estado do Rio de Janeiro.
Os crimes apurados incluem estelionato, charlatanismo, curandeirismo, associação criminosa, falsa identidade, crime contra a economia popular, corrupção de menores e lavagem de dinheiro. Para escoar a arrecadação, o grupo usava uma rede de contas em nome de terceiros, dificultando o rastreio. Havia metas semanais e comissões; quem não batia o mínimo era dispensado.
A apuração começou em fevereiro, quando policiais flagraram 42 pessoas atendendo no call center e apreenderam 52 celulares, 6 notebooks e 149 chips pré-pagos. O material revelou milhares de vítimas em todo o país. A análise financeira identificou movimentações superiores a R$ 3 milhões em dois anos.
Com base nos elementos, a Justiça determinou sequestro de bens e bloqueio de contas dos investigados e de empresas ligadas a eles. Nesta primeira fase, o suposto pastor e outros 22 integrantes foram denunciados, e o líder passou a usar tornozeleira eletrônica por decisão cautelar. As investigações continuam para identificar novas vítimas e eventuais partícipes do esquema.



