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Hotel mais antigo em funcionamento no Rio fica no Catete


Hotel Riazor

Quem passa pelo Catete talvez não imagine que, em frente ao Palácio da República, está o hotel mais antigo em funcionamento do Rio. O Riazor exibe na fachada a data de 1891, mas a história pode ser ainda mais antiga. Antes disso, já há registros de gente hospedada neste endereço em 1870, quando a região crescia e atraía figuras da alta sociedade carioca — caso do fazendeiro, banqueiro e industrial Antônio Clemente Pinto, português que se tornou um dos homens mais ricos do Brasil do Segundo Império. Conhecido como Barão de Nova Friburgo, ele comprou vários imóveis no antigo Largo do Valdetaro, batizado em homenagem ao escrivão português Manuel Valdetaro, morador da área. Em um desses terrenos, Clemente ergueu seu imponente palácio, que mais tarde viraria sede do governo federal.

Com uma vizinhança tão nobre, não é surpresa que o hotel, então chamado Pensão Schray, passasse a receber hóspedes ilustres, entre eles políticos de outros estados que vinham despachar com ministros ou mesmo com o presidente no palácio. A origem do nome Schray continua um mistério, mas notas e registros do antigo hotel foram localizados no acervo da Prefeitura de Caetité, na Bahia, isso porque, no início do século 20, o negócio foi administrado por Rogaciano Teixeira, apelidado de “Cônsul da Bahia” no Rio por receber tantos conterrâneos em seus aposentos.

Tombado pelo município, o prédio preserva detalhes de época e guarda as marcas das transformações do bairro. Depois da fase Schray, ganhou o nome de Hotel Monte Blanco, nos anos 1960. A mudança para Riazor aconteceu em 2001, quando o empresário José Caamaño, filho de espanhóis e torcedor de futebol, assumiu o negócio e decidiu homenagear o estádio Riazor, do Deportivo La Coruña, o mesmo em que o craque Bebeto brilhou nos anos 1990. A paixão pelo time dos pais e pelo futebol brasileiro acabou carimbada na nova fachada.

O entorno também mudou de cara. No passado, um largo com chafariz dava charme à entrada do hotel, mas a peça acabou transferida para dentro do Jardim do Catete depois das obras que remodelaram a região. Dentro, a estrutura continua simples, fiel ao espírito de um tempo em que hospedagem significava sobretudo localização estratégica.

Outro medalhão

Poucos metros adiante, já no Flamengo, fica o segundo hotel mais antigo da cidade ainda em atividade. O Regina abriu as portas em 3 de setembro de 1922, embalado pelas comemorações do centenário da Independência e pela Exposição Internacional do Rio, que projetava a capital federal como vitrine de modernidade. O endereço na Rua Ferreira Viana, a poucos passos do Museu da República, segue firme há mais de um século, com fachada rosa-claro protegida pelo município.

Fachada do Hotel Regina

O interior, no entanto, não parou no tempo. No começo dos anos 2000, o Regina passou por uma modernização que incluiu a criação de um pequeno spa no terraço, de olho nos grandes eventos que o Rio sediaria. Dos tempos de glória, restou apenas uma elegante penteadeira, testemunha de uma época em que a hospedagem abrigava bailes de carnaval e jantares ao som de orquestra. Os anúncios em jornais antigos mostram que, no primeiro e no terceiro domingo de cada mês, famílias cariocas eram convidadas para um “dinner concert”.

De padrão três estrelas, o Regina tem sete andares, 117 quartos e uma clientela que sempre mesclou política e celebridades. Juscelino Kubitschek, quando ainda era deputado, esteve ali nos anos 1940. Décadas depois, durante a Rio+20, em 2012, o hotel recebeu Raul Castro, então presidente de Cuba, a pedido do governo federal.

Mesmo durante a pandemia, o Regina manteve as portas abertas. Hoje, tem taxa de ocupação em torno de 70%. Alguns quartos oferecem sacadas com vista para a Praia do Flamengo, e atletas continuam entre os hóspedes mais fiéis.

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