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Reuters ganha dois prêmios Pulitzer por reportagens sobre Trump e Meta


Carta do papai Noel

Por Joseph Ax

NOVA YORK, 4 Mai (Reuters) – A Reuters ​ganhou dois prêmios Pulitzer nesta segunda-feira, um por uma série de reportagens que revelou como a gigante da mídia social Meta expôs conscientemente usuários, incluindo crianças, a chatbots de inteligência artificial prejudiciais e a anúncios fraudulentos, e outro pela cobertura da campanha de vingança política do presidente dos EUA, Donald Trump.

O prêmio pela reportagem sobre a Meta, de autoria do repórter investigativo Jeff Horwitz e do correspondente na China Engen Tham, utilizou documentos internos não relatados anteriormente, bem como técnicas inovadoras de teste de contas do Facebook e do Instagram, para descobrir os segredos do modelo de negócios da empresa.

Já o prêmio ⁠de reportagem ⁠nacional nos EUA, compartilhado por Ned Parker, ​Linda So, ‌Peter Eisler e Mike Spector, detalhou os esforços de Trump para punir seus inimigos políticos.

Horwitz expôs como as diretrizes internas da Meta permitiam explicitamente que seus chatbots de IA conduzissem conversas ‘sensuais’ com crianças. Uma reportagem relacionada detalhou como um homem de Nova Jersey com deficiência ⁠cognitiva morreu de ferimentos sofridos em uma queda depois de fugir de casa ​para o que ele acreditava ser um encontro romântico com uma jovem após uma série de ​conversas com um chatbot da Meta.

Outras matérias demonstraram até ‌que ponto a Meta ​lucrou com ⁠publicidade ilícita.

Em uma das reportagens, Horwitz mostrou que a gigante da tecnologia estava inundando conscientemente os usuários com bilhões de anúncios de golpes todos os dias e ganhando cerca de 10% de sua receita anual ​com eles, ou cerca de US$16 bilhões.

Posteriormente, Horwitz e Tham detalharam o papel fundamental desempenhado por empresas chinesas nesse negócio. Outra matéria revelou o ‘manual global’ da Meta para derrotar regulamentações eficazes contra golpes em todo o mundo.

Horwitz empregou técnicas criativas para estabelecer algumas das principais descobertas. Em um dos ​casos, ele criou uma conta registrada em nome de um adolescente fictício de 14 anos para mostrar o impacto da decisão da Meta de dar aos bots a capacidade de desempenhar papéis românticos com menores de idade. Em outra matéria, ele colocou anúncios experimentais de esquemas falsos de enriquecimento rápido no Facebook e no Instagram.

A reportagem provocou investigações regulatórias e litígios em todo o mundo e levou a própria Meta a reformar suas principais práticas. Em resposta às críticas sobre seu chatbot, a ​Meta revisou imediatamente suas diretrizes de IA para não permitir que seus bots se envolvam em conversas ‌românticas com crianças.

‘Esses reconhecimentos extraordinários refletem o melhor ⁠do jornalismo da Reuters: trabalho destemido, profundamente apurado e original, que responsabiliza instituições poderosas’, disse a editora-chefe da Reuters, Alessandra Galloni.

Os Prêmios Pulitzer, criados pelo editor de jornais Joseph Pulitzer em ⁠1917, são considerados a maior honraria do jornalismo norte-americano. Os prêmios ⁠deste ano são o 14º e o 15º ⁠para a Reuters, ⁠incluindo ​oito para reportagem e sete para fotografia, todos desde 2008.

(Reportagem de Joseph Ax; reportagem adicional de Helen Coster)



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