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Saúde

Turismo do skincare vira estratégia diplomática na Coreia do Sul e atrai brasileiros


Carta do papai Noel

Quando se mudou para Seul, na Coreia do Sul, em 2022, Yuna Chung, 25, não imaginava que, em poucos anos, estaria recebendo brasileiros para apresentar as novidades da k-beauty, como são chamados os produtos de beleza coreanos.

Hoje, após estudar estética na cidade, se tornou consultora e atende um público interessado em procedimentos estéticos, compras de cosméticos e até em fazer negócios com marcas locais.

Quando chegam a Seul, uma das primeiras paradas de seus clientes é a consulta com um dermatologista. Ali, um plano de tratamento é sugerido. O passo seguinte costuma ser uma visita a uma das muitas lojas de cosméticos que moldam o cenário da capital coreana. Yuna acompanha cada cliente nas escolhas.

“Não é só para profissionais, é para pessoas que querem fazer uma rotina mais elaborada”, conta ela, que tem ascendência coreana e também atua como tradutora para os brasileiros.

Entre seus clientes estão dermatologistas que querem entender melhor a rotina de beleza local, grupos de amigos interessados em conhecer a cultura do país e fãs de k-pop e doramas, gêneros que se tornaram febre no Brasil.

“Nas novelas coreanas aparece muita propaganda de marca, porque a marca patrocina. A brasileira vê a coreana usando e quer comprar. Isso começou a chamar turismo. Porque a Coreia não era muito conhecida até então, era mais Japão e China”, diz.

A k-beauty, assim como o k-pop e os doramas, integra a estratégia diplomática do país. Ações do governo sul-coreano buscam promover os produtos para o público estrangeiro, com o objetivo de ampliar trocas comerciais e impulsionar o turismo no país.

Todos os anos, uma parceria entre o Ministério da Saúde do país e o Instituto Coreano da Indústria Cosmética promove feiras e eventos destinados a atrair presença internacional e apresentar marcas sul-coreanas a estrangeiros.

Em 2024, a pasta e o instituto organizaram um evento para apresentar produtos de beleza a jornalistas estrangeiros. No mesmo ano, foram criadas lojas especializadas para atender visitantes de outros países e oferecer experiências focadas em k-beauty.

As marcas também buscam atrair novos mercados capitalizando em cima do sucesso dos doramas e do k-pop. Atores e cantores famosos tornam-se, com frequência, embaixadores globais.

Cha Eun-woo, por exemplo, se tornou o rosto da marca Abib em 2020. O ator soma 47,9 milhões de seguidores no Instagram e ficou conhecido por sua participação em “Beleza Verdadeira”, disponível na Netflix no Brasil.

A cantora Mariana Ferreira, 25, foi uma das fisgadas por essa estratégia. Sua paixão pelo k-pop e pelos doramas fez com que ela começasse a prestar atenção nos cuidados com a pele, já que a aparência dos atores é de dar inveja.

“A fama dos produtos que eu conheci pela internet me influenciou bastante. A viagem já foi pensada em fazer um estoque desses produtos que eu só consigo lá e absorver um pouco dessa cultura que eu já amava, e agora amo ainda mais”, afirma.

A paixão foi tanta que as lojas de cosméticos se tornaram parada obrigatória quase todos os dias. “Toda vez que eu ia para o meu hotel, eu passava nela [loja] e comprava mais alguma coisinha”, conta.

Embora dessa vez tenha deixado de lado os procedimentos estéticos, Mariana “com certeza” fará um tratamento. “Não fiz por falta de tempo na agenda, e com certeza farei na próxima ida”, diz ela.

Assim como na escolha de produtos, definir a clínica exige cuidado. Segundo o médico Seung-Hwan Lee, autor de um artigo científico sobre turismo médico na Coreia do Sul e diretor-chefe da Tongin Clinic, pacientes devem observar aspectos como comunicação clara, precificação transparente, credenciais visíveis e explicações detalhadas.

A Agência do Consumidor da Coreia do Sul orienta que pacientes só avancem com procedimentos cirugicos após uma consulta minuciosa sobre técnicas, riscos e efeitos colaterais. A agência recomenda verificar se o profissional é credenciado, tirar fotos antes da intervenção e discutir previamente o que acontece caso o resultado não seja satisfatório.

Segundo dados do Ministério da Saúde da Coreia do Sul, cerca de 1,7 milhão de pacientes estrangeiros visitaram o país em 2024, um aumento de aproximadamente 93% em relação a 2023.

A dermatologia foi a especialidade médica mais procurada, seguida da cirurgia plástica e de cuidados clínicos gerais. Seul é a cidade no topo da lista, recebendo 85% dos pacientes internacionais.



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