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Logo que começou a correr, em 2024, a representante de atendimento automotivo Viviane Nunes, 38, sentiu um incômodo nas canelas. Inicialmente, ela achou que não fosse nada, mas aquilo se transformou em dor a cada vez que seus pés tocavam o chão. Ela comentou com a professora do Projeto Vida Corrida, no qual treina, e descobriu o que tinha: canelite.
Conhecida também como síndrome da tensão tibial medial, a canelite, uma inflamação na região da canela, é muito comum entre corredores. “Era uma dor chata, mas segui as dicas da professora e passou”, conta Viviane. Entre os conselhos, estava o de fazer exercícios de fortalecimento.
Situação parecida viveu a administradora Renata de Carvalho, 51. “Nos primeiros dias, tive incômodo no quadril e nos pés”, diz. Sem se desesperar, ela conversou com corredores mais experientes e com seus treinadores e percebeu que essa não era uma sensação fora do padrão —pelo contrário, é algo esperado no início.
Os pés pararam de doer assim que ela comprou um tênis mais apropriado para a prática. “Sobre a dor no quadril, minha treinadora mesmo disse que teve quando começou. Depois de uns dias, passou.”
Outra dor comum entre iniciantes é aquela pontada lateral no abdômen, também conhecida como “dor de facão”.
“Muitas vezes, basta diminuir o ritmo, caminhar, equilibrar a respiração e fazer uma massagem no local para que ela desapareça”, afirma Daniel Neves, profissional de educação física e sócio da DPN Run Assessoria Esportiva.
Também é preciso atenção. “Às vezes, se a pessoa é negligente com uma dor muscular, o problema pode se tornar uma lesão ou até uma fratura por estresse”, afirma Felipe Filomeno, fisioterapeuta e sócio da clínica Pace, especializada em fisioterapia ortopédica e esportiva.
A corrida é um esporte de impacto, o que significa que ela causa mais estresse nas articulações do que atividades como ioga ou caminhada. Cerca de 15% dos pacientes atendidos pela equipe de Filomeno, por exemplo, são corredores com lesões.
Então, como saber se algum incômodo é normal ou não? “A dor considerada normal é aquela de adaptação, que pega o músculo. Fazendo uma analogia, é aquela dor que aparece depois do primeiro dia de musculação”, afirma Henderson Palma, fisioterapeuta da Pace e corredor.
É quando você sente que o músculo está dolorido e, no dia seguinte, ainda lembra da dor, mas ela não limita o seu caminhar nem outros movimentos. Essa “dor de treino” tem até nome: dor muscular de início tardio ou Doms (delayed onset muscle soreness, em inglês).
A recomendação é: se a dor persistir ou se algum acidente acontecer, como uma torção ao tropeçar, busque um médico.
A principal chave para correr com tranquilidade está, como recomendou a professora de Viviane, no fortalecimento muscular.
O treino de força é caracterizado por exercícios com resistências que geram tensão nos músculos. Isso pode ser obtido com pesos, elásticos, o peso do próprio corpo ou equipamentos específicos.
“A corrida não é só ir para frente. É preciso ter equilíbrio da perna direita com a esquerda, o core, região da barriga e das costas, fortalecido, mobilidade dos ombros, entre outros pontos”, diz Karina Hatano, médica do esporte do Einstein Hospital Israelita e sócia do centro clínico Hatano.
Corrida perfeita
Não adianta querer copiar o jeito ideal de correr. “Isso não existe”, afirma Henderson. “A ciência mostra que não existe a biomecânica perfeita. A corrida perfeita é do jeito que cada pessoa corre.”
Há alguns anos, variações na movimentação, como um joelho um pouco mais virado para dentro, eram consideradas grandes problemas, segundo o especialista. As pesquisas recentes, porém, mostram que isso não necessariamente é uma questão.
Hoje, cada corredor é avaliado individualmente para identificar eventuais melhorias. “Algumas variáveis, como o tempo de contato com o solo, fase aérea e rigidez dos tecidos, são fatores mais interessantes de serem analisados”, diz Henderson.
Corrida Folha 105 anos
Para celebrar os seus 105 anos, a Folha promoverá uma corrida de rua em São Paulo, no dia 29 de março, um domingo. A Corrida Folha 105 anos tem largada e chegada no Vale do Anhangabaú, no centro histórico da capital paulista.
A prova foi pensada para todos os perfis, do iniciante ao corredor experiente, com três modalidades: caminhada de 3 km e corridas de 5 km e 10 km.
As inscrições já podem ser feitas neste link, com valores a partir de R$ 139,90 para o Kit Corredor (que inclui camiseta, sacochila, medalha, número de peito e três meses de assinatura digital do jornal) e R$ 249,90 para o Kit Premium (que também inclui garrafa térmica exclusiva e três meses de assinatura CasaFolha). Os valores não incluem a taxa de bilheteria.
Assinantes da Folha têm 20% de desconto nas inscrições, que vão até 27 de março e podem ser parceladas em até três vezes.



