Deputados da ala bolsonarista da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) esquentaram o plenário desta terça-feira (24) ao comentar sobre a criação do 13º BPM em Maricá pelo secretário da Polícia Militar, coronel Marcelo Menezes.
O número do batalhão — o mesmo do PT — foi classificado pelos parlamentares como uma “manobra política” em ano eleitoral.
O presidente interino da casa, Guilherme Delaroli (PL), também reclamou da medida e disse que, apesar de solicitar a criação da unidade há três anos, não foi sequer convidado para a cerimônia:
“Eu estou aqui com a minha indicação, nº 114 de 2023, na qual solicitei ao Exmo. Sr. Governador do Estado do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, a implantação de um batalhão da Polícia Militar para atender o município de Maricá e Saquarema. E nem convidado para o anúncio do batalhão eu fui”.
O novo 13° BPM foi anunciado em janeiro, durante a cerimônia de assinatura do decreto de reestruturação operacional e administrativa da secretaria por Cláudio Castro (PL). O local escolhido foi a Cidade da Segurança, no Parque Nanci.
Poubel anuncia projeto para mudar nome do batalhão
O deputado Filipe Poubel (PL) afirmou que vai apresentar um projeto de decreto legislativo para alterar a nomenclatura da unidade. Ele disse ainda que não pode aceitar que se vincule “o número de um partido a um batalhão em ano eleitoral” e atacou o prefeito de Maricá, Washington Quaquá (PT).
“Não podemos ceder aos caprichos dessa figura folclórica que é Washington Siqueira Quaquá, que pensa mais no carnaval que na saúde e na segurança da cidade. Tenho certeza que a maioria dos moradores de bem não comunga com essa escolha, com esse governo e com o nome de Che Guevara no hospital”, ressaltou.
Amorim fala em ‘atropelar’ secretário e ameaça desmoralização
O deputado Rodrigo Amorim (União) convidou os demais parlamentares a participarem da mobilização contra a medida.
“Todos os colegas que quiserem ser coautores conosco neste projeto estão convidados. Se o coronel Menezes não alterar em 24 horas essa pouca vergonha, a gente vai atropelar ele nessa casa. Ele vai aprender a respeitar o parlamento fluminense – ao qual quer fazer parte”, disse.
Em outro momento, Amorim ironizou com o colega Poubel sobre qual deveria ser o novo número do batalhão da cidade: “Não é Maricá? Então bota Batalhão 171”.
Os deputados Marcelo Dino (União) e Thiago Rangel (PL) também fizeram críticas à condução da secretaria. Rangel sugeriu, inclusive, a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar Menezes.
13º BPM ficava na Praça Tiradentes, que hoje não tem batalhão
O número 13 já foi utilizado anteriormente pela Polícia Militar. Até 2011, identificava o batalhão da Praça Tiradentes, no Centro do Rio. A unidade acabou desativada e, em 2014, o quartel chegou a ser destinado ao Batalhão de Policiamento em Áreas Turísticas (BPTur), projeto que não foi adiante.
Deputados defendem a reativação do 13º BPM na região central da capital, argumentando que o Centro deve ganhar cerca de 100 mil novos moradores nos próximos anos, o que aumentaria a demanda por policiamento permanente.



