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Museu do Botequim: primeiro brinde da casa reúne dezenas de especialistas no Centro
A primeira reunião do conselho consultivo do Museu do Botequim, o Mubo, aconteceu na tarde desta quarta-feira, na rede do Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio (SindRio), no Centro da capital fluminense. O encontro reuniu 29 especialistas de diferentes áreas e marcou mais uma etapa da consolidação do projeto, o primeiro do gênero no país. Com apoio da Prefeitura do Rio do SindRio, a expectativa é que a inauguração ocorra em 2026.
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— Comecei a pensar em um espaço de pesquisa e preservação do botequim há cerca de 15 anos. Então, quando soube da iniciativa do Reviver Centro, vi uma oportunidade. Agora, junto com a equipe do Ibeec e nossos apoiadores, estamos vendo um sonho virar realidade — revelou Léo Feijó.
Além de Feijó, fazem parte do projeto nomes como Marcello Magdaleno (arquiteto), Chris Lima (diretora artística), Deca Farroco e Lorena Bondarovsky (diretoras do Instituto Brasileiro de Empreendedorismo e Economia Criativa), além de Zé Octávio e Flávio Silveira (curadores).
A proposta é criar um espaço que reconheça e celebre o botequim como patrimônio cultural do Rio, valorizando trabalhadores, donos de estabelecimentos e frequentadores.
A botecagem
O acervo do Mubo está em construção, mas a ideia é oferecer ao público uma experiência imersiva nas características típicas de um bar tradicional: mobiliário, chopeiras, geladeiras de madeira, cardápios e arquiteturas de botequins que marcaram gerações cariocas.
O museu será interativo, reunindo sons e imagens que contarão histórias ligadas às cenas culturais, sociais e políticas do Rio. Também destacará hábitos cotidianos que ajudaram a formar a identidade e o jeito de viver carioca.
— É um espaço para enaltecer a cultura da botecagem, muitas vezes vista de forma negativa, mas que ajuda a contar a história da nossa cidade e da nossa sociedade. Vamos mostrar que, ao longo dos séculos, os botequins também foram locais de enocntros de amigos, famílias, negócios e marcos históricos — explicou Feijó.
Para colocar o projeto em prática, foi necessário reunir um conselho consultivo com nomes de peso da botecagem carioca, como Mariana Rezende (Bar da Frente), Toninho (Bar do Momo), entre outros.
Na mesa do bar
Primeira reunião do Conselho Consultivo do Museu do Botequim (Mubo)
Walter Farias
Segundo Chris Lima, diretora artística do Mubo, o botequim é, por excelência, um espaço de encontros e diálogos. Inspirada nessa essência, a equipe responsável pelo projeto e o conselho consultivo transformaram o auditório do SindRio em uma grande mesa de bar para reunião desta quarta-feira.
Participaram arquitetos, urbanistas, historiadores, empreendedores, economistas, museólogos, cervejeiros, cachaceiros, frequentadores e representantes da Prefeitura do Rio. Todos se reuniram para debater o futuro do museu.
Durante cerca de duas horas, foram discutidos os objetivos, serviços, marca e identidade do Mubo.
— Hoje foi a primeira vez que todos os envolvidos se encontraram ao mesmo tempo. É um marco importante para a consolidação do projeto e o debate foi rico. Um exemplo disso foi o surgimento da ideia de uma política pública voltada parada bares e botequins — destacou Flávio Silveira, historiador e curador.
Outra proposta levantada no encontro partiu de Raphael Vidal, responsável pela revitalização do Lardo da Prainha. Para ele, será importante reunir e compartilhar receitas tradicionais das cozinhas dos botequins carioca.
Área de lazer
Integrado ao programa Reviver Centro, da Prefeitura do Rio, o projeto prevê também a recuperação de dois imóveis tombados como patrimônio cultural, a revitalização de uma praça e a criação de uma nova área de lazer.
Entre as propostas está a requalificação da Praça João Calvino, vizinha à chamada “rua da cerveja”, que ganhará jardim, área de convivência, um painel com o mapa dos bares e um palco para rodas de samba, choro e outras atrações culturais.
O espaço do Mubo também abrigará a Biblioteca Paulo Thiago de Mello, em homenagem ao jornalista, escritor e antropólogo que dedicou sua trajetória a contar histórias e valorizar a cultura da botecagem.
Apaixonado por balcões e mesas de bar — e por tudo o que eles representam no cotidiano carioca —, Paulo publicou em 2016 o livro Memória afetiva do botequim carioca, escrito em parceria com José Octávio Sebadelhe. A obra revisita a trajetória de 30 botequins que marcaram a cidade desde o século XIX. Seu olhar boêmio e formação antropológica também foram decisivos para as seis primeiras edições do guia Rio Botequim, no qual atuou como redator.
Vale destacar que, o Museu do Botequim já tem cronograma. Segundo Lorena Bondarovsky, diretora do Ibeec, a arrecada de recursos deve ser concluída até janeiro de 2026. A previsão é que, no segundo semestre do mesmo ano, as obras e a organização do acervo sejam finalizadas, permitindo a abertura ao público ainda em 2026.
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