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Saúde

Graacc e Doutores da Alegria iniciam parceria para humanizar tratamento oncológico infantil


Carta do papai Noel

O Hospital do Graacc iniciou neste mês uma parceria com os Doutores da Alegria. Os palhaços profissionais visitarão a instituição duas vezes por semana, transformando a rotina de espera e internação das crianças em tratamento oncológico com momentos de leveza durante as longas jornadas hospitalares.

A iniciativa surgiu do setor de Experiência do Paciente do hospital, responsável por ações como passeios externos e a brinquedoteca. “Como trabalhamos com o público infantil, todos os nossos ambientes são desenhados para esse público. Assim eles estão felizes, aceitam o tratamento bem e querem vir ao hospital”, explica a diretora médica Monica Cypriano.

Para a diretora, dentro da proposta lúdica da instituição, o projeto é um parceiro natural. Como muitos tratamentos são longos e demandam internações prolongadas, acabam sendo períodos angustiantes e exaustivos para pacientes e familiares.

O Doutores da Alegria, assim como o Graacc, surgiu em 1991, no período pós-Constituição de 1988 e do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), quando houve um crescimento das organizações da sociedade civil.

Luis Alberto Vieira da Rocha, diretor-presidente dos Doutores da Alegria, explica que o objetivo é levar a arte da palhaçaria ao ambiente hospitalar como forma de enriquecimento humano e para potencializar relações saudáveis.

No ano passado, a organização revelou estar passando por dificuldades financeiras emergenciais. Segundo Rocha, a situação continua. “Vivemos integralmente de doações de pessoas e empresas, principalmente através da Lei de Incentivo à Cultura, conhecida como Lei Rouanet.”

Todos os artistas são formados em artes cênicas e escolheram o palhaço como caminho de pesquisa. Além do processo seletivo, passam por treinamento para adaptar sua formação à realidade hospitalar. “Brincamos que eles se tornam besteirologistas, porque esse palhaço atua a partir de uma paródia artística em que finge ser médico”, diz Rocha.

A organização atua em hospitais que atendem o público do SUS, priorizando locais com poucos indicadores de humanização. Por isso a parceria com o Graacc demorou para acontecer, já que o hospital já é referência em projetos lúdicos de humanização.

“A decisão de ir para o Graacc agora é porque desenvolvemos uma metodologia de avaliação onde verificamos se a presença contínua desses artistas pode alavancar mudanças nos indicadores de humanização”, explica o diretor.

A partir do diagnóstico, a ideia é propor ações aos profissionais de saúde para potencializar o cuidado sobre quem cuida. Rocha enxerga a parceria como um desafio bem-vindo: verificar se os Doutores da Alegria podem proporcionar mudanças em um ambiente que já é referência de cuidado.

Anderson Spada, 47, é um dos artistas do projeto no Graacc. Com 20 anos nos Doutores da Alegria, atua como Dr. De Dérson e considera a parceria “um namoro antigo, um sonho realizado”.

“Nossa atuação é sempre a partir do sim da criança, ela vira nosso chefe”, conta. “Estamos sempre abertos ao que ela precisa, ao que propõe, e vamos conduzindo, às vezes de acordo com o que o tratamento pede.”

Os palhaços chegam primeiro “de cara limpa” —antes da maquiagem e figurino— para verificar como as crianças estão.

O parceiro de Anderson é Fagner Saraiva, 36, que atende como Dr. Filipeuto. Ele ingressou há três anos através de processo seletivo afirmativo para atores negros, visando aumentar a representatividade e identificação das crianças atendidas.

“Esse trabalho é apaixonante, mas sem romantismo. Não estamos ali só para acolher a enfermidade, mas tudo que há de vida: dor, alegria, raiva”, disse Fagner. Além das crianças, o trabalho se estende aos pais, acompanhantes e equipe hospitalar. “Às vezes quem mais precisa é quem está cuidando, que também precisa respirar junto conosco. Nosso trabalho passa por toda a multiplicidade do hospital”, observa.

Sandra Garcia, mãe da paciente Isabele, disse que se divertiu com a visita dos palhaços e que é um alívio ter um momento de distração dentro do tratamento. Damiele Ribeiro, mãe de Giovana, compartilha do mesmo sentimento. Durante as apresentações, ambas riram junto com as filhas e filmaram suas reações.

Embora não haja pesquisa científica comprovando que as ações lúdicas contribuem para o tratamento, a diretora Monica Cypriano defende a iniciativa. “Para uma pesquisa confiável, precisaríamos dividir o hospital entre quem recebe e quem não recebe esse atendimento. E não vamos privar uma criança de viver algo lúdico para fazer um estudo científico.”

Apesar disso, ela observa os resultados no cotidiano, pelo testemunho dos pais e famílias, que o atendimento holístico e ambiente acolhedor fazem a criança querer ir ao hospital para o tratamento, diminuindo também o nível de abandono



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