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Saúde

É possível emagrecer só comendo ultraprocessados?


Carta do papai Noel

Guias alimentares mundo afora recomendam “dietas nutricionalmente equilibradas”. Definir o que seria isso é a causa do fuzuê. Uma das disputas atuais refere-se à orientação sobre os ultraprocessados —produtos industriais feitos a partir de ingredientes derivados de alimentos e aditivos artificiais, formulados para serem convenientes e palatáveis.

Enquanto guias como o brasileiro orientam a evitar ultraprocessados, outros, como o do Reino Unido e dos Estados Unidos, concentram-se na composição nutricional (macro e micronutrientes) e/ou nos grupos de alimentos (frutas e vegetais, laticínios, ricos em amido etc), sem considerar o processamento como critério. A questão em debate é se há evidência suficiente para justificar a restrição explícita a ultraprocessados. Nesse cenário, uma pesquisa recente com 55 adultos ingleses com sobrepeso ou obesidade investigou se uma dieta rica em ultraprocessados –ainda que alinhada às diretrizes nutricionais do Reino Unido– teria impacto negativo sobre o peso corporal e a saúde cardiometabólica, em comparação a outra dieta, também adequada às diretrizes, mas composta por alimentos minimamente processados.

Os voluntários foram sorteados para seguir uma das duas dietas por oito semanas e, em seguida, trocaram para a dieta oposta, por igual período. Todos os alimentos foram fornecidos pelos pesquisadores. Os ultraprocessados incluíram cereais matinais, refeições prontas, industrializados à base de plantas etc. Os minimamente processados continham carnes frescas, vegetais, aveia etc. As dietas foram nutricionalmente adequadas e equivalentes, de acordo com as diretrizes britânicas.

Ambas as dietas resultaram em perda de peso. Mas, com a dieta em alimentos minimamente processados, a perda de peso média foi de 2%, contra perda de 1% com a de ultraprocessados. Gordura corporal e triglicerídeos sanguíneos seguiram o mesmo padrão.

O estudo também revelou que a dieta composta de alimentos minimamente processados resultou num melhor controle do desejo por alimentos. Por outro lado, os sabores e gostos das refeições foram mais bem avaliados sob a dieta de ultraprocessados. Esses dados ajudam a explicar a diferença na perda de peso entre as dietas.

Para mitigar a limitação da curta duração do estudo, os autores extrapolaram a tendência dos dados e projetaram que, em um ano, as mulheres perderiam quase o dobro de peso com a dieta baseada em alimentos minimamente processados em comparação com a de ultraprocessados; entre os homens, a diferença seria três vezes maior. No entanto, por pressuporem adesão e respostas uniformes às dietas, tais estimativas são altamente especulativas.

Ademais, vale notar que os participantes ingleses obtinham, em média, 67% das calorias diárias de ultraprocessados, contra cerca de 20% no Brasil, o que limita a extrapolação dos resultados ao nosso contexto. Como é raro alguém consumir uma dieta completamente livre de ultraprocessados, discute-se atualmente quais quantidades ou categorias específicas desses alimentos poderiam ser consideradas seguras para o consumo.

Apesar de suas lacunas, o estudo traz um avanço. Ao demonstrar que os ultraprocessados dificultam a perda de peso mesmo dentro de uma dieta nutricionalmente balanceada, fortalece-se o argumento de que os guias devem considerar não apenas a composição nutricional, mas também o processamento dos alimentos. A integração desses dois critérios representa um desafio complexo, mas essencial para fundamentar recomendações alimentares mais coerentes.


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